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sábado, 7 de abril de 2018


Volto na tarde sem brisa,
vou pelos túneis do tempo,
para ver se em algum atalho
encontro a manhã da infância,
cheia das rosas de maio,
cheia de andores azuis...

- Nas procissões da Esperança,
eu tinha pássaros na alma
e ramos verdes na mão...
Nossa Senhora da Glória!
ao longo das alamedas
quanta luz havia então!

Volto na tarde sem brisa...
Mas só encontro os presságios
dos nimbos que se aglomeram
da grande noite parada
no chapadão dos novembros...

-Em que atalho do passado,
em que alameda perdida
ficou a manhã da infância,
cheia de rosas de maio
cheia de andores azuis?

Antonieta Borges Alves
In Lírios de Pedra

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Cantigas de Maio




As rosas brancas se abriram,
as neblinas já lá vêm;
as alvuras já cobriram
os verdes campos d'além.

Ai, que carinhos,
que festa rara
dos pastorzinhos
da manhã clara!

Cantam ledas raparigas
com virginal emoção!
- Maio desperta cantigas,
- Maio convida à uma oração.

É uma beleza
ser camponês,
ter a surpresa
do lindo mês!

Os anjos tocando avenas
saem todos para tanger
flocos de nuvens serenas
quando o dia vai morrer.

Sinos ecoam!
Doce alegria!
Povos entoam
Ave Maria!

Nossa Senhora então, pelas
vastas noites aurorais,
abre seu manto de estrelas
para acolher os mortais.

E o lugar prateia
as horas calmas.
- Maio na aldeia
- Maio nas almas!...

Antonieta Borges Alves
In Lírios de Pedra
arte Igor Levashov