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domingo, 19 de novembro de 2017

Os amantes





Caules. Solidões
Ligeiras. Varandas
Esvoaçantes? – Montes,
Bosques, aves , ares.

Tanto, tanto espaço
Cingido de presença
Móvel de planetas
Os  abraços teimosos.

Gozos, massas, gozos,
Massas, plenitude,
Luz atónita
E vermelhos absortos!

E o dia? A lisura
Do vidro. Mudo,
O quarto afunda-se,
Varandas em branco.

Só , amor, tu mesmo,
Túmulo. Nada, nada,
Túmulo. Nada, nada,
Mas...  Tu comigo?

Jorge Guillén
arte Dorina Costras

Rio



Como vai serena a água!
Unifica silêncios.
À deriva, espadas
de cristal afiam, lenta
espera, seus gumes...
O mar precisa delas.
Porém, uma frescura errante
dispersa vozes apaixonadas
por todo o rio.
Elas pedem, juram, recitam.
Pulsação da correnteza!
Como bate! Delira!
Sob as águas singram
céus íntimos.
A corola do ar profundo
ilumina-se.
As vozes seguem ainda
mais apaixonadas. Vão ansiosas.
Eu queria, eu queria...
Todo o rio suspira.

Jorge Guillén