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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

SOB O CÉU TÃO AZUL...


Sob o céu tão azul que se espiritualiza,
o jardim vai fechar as pétalas das rosas
como alguém que cerrasse as pálpebras medrosas
para ver o que só no sonho se divisa...
Tudo adormece em torno...E a paisagem, mais lisa
que um esmalte, desfaz em sombras vaporosas...
Passam apenas no ar, vêm das moitas cheirosas
perfumes doces, sons de flauta pela brisa...
A noite desce e apaga as cores... E a vida
do jardim silencioso onde as luzes se enfeixam,
sobrevive somente a voz d´água, esquecida.
E sob o céu azul que se prolonga além,
fecham-se as flores, como os olhos, lentos, fecham
para ver o que só no sonho os olhos veem...

Onestaldo de Pennafort
arte   Vincent Van Gogh

terça-feira, 5 de setembro de 2017




Lá fora, no silêncio do jardim,
o luar abriu, num momento,
a cauda longa, de marfim.
Aqui, nesta quietude de aposento,
ressoa o último acorde sonolento,
paira um perfume leve, de jasmim...

Um perfume e um acorde...A suavidade
de uns olhos tristes de desejo...
A volúpia de um beijo...E depois a saudade
desse beijo, que se prolonga noutro beijo...
A mesma frase...Os mesmos gestos repetidos
do pensamento nos sentidos...
Toda essa história ingênua, tão antiga,
em que há dois sempre: Meu amigo...Minha amiga..."

Onestaldo de Pennafort
In Poesia