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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

SOL DE OUTONO



 Declínio augusto de uma mocidade,
 Tarde melhor que esplêndida manhã,
 Fruto supremo na maturidade
 E alma da carne sazonada e sã;

 Argirócomo tronco, inda te invade
 Juvenilmente, sápida e louçã,
 A seiva forte em toda intensidade
 Do sangue de imortal deusa pagã!

 Nada te abate o orgulho da beleza,
 Pois tens, dentro de ti, o áureo fulgor
 Do Belo, eterno como a Natureza!

 A arte emprestou- te o mágico vigor
 Da forma que persiste, altiva e ilesa,
 A rir da Morte e a perpetuar o Amor.

Emílio de Menezes
de Últimas Rimas 

GIRASSOL




 A AMADEU AMARAL

 Florir no descampado ou no úmido recanto
 De alguma ruína, ou mesmo em áspero alcantil,
É um orgulho que tem o redoirado helianto
Dês que da terra emerge a plúmula sutil

 Quando ele desabrocha entre os glastos e o acanto,
 Entre os mil tinhorões e as passifloras mil,
Tem-se à conta de um sol, nascido por encanto
Ao topo senhorial do tomentoso hastil.

 É de vê-lo medir, a força e o valimento,
 Do orgulho vegetal, do seu orgulho em prol,
 Ante o rival senhor de terra e firmamento!

 E de vê-lo, tenaz, de arrebol a arrebol,
 Do grande astro seguindo o régio movimento,
 O áureo disco volver para encarar o sol!

Emílio Menezes 
de Últimas Rimas