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sábado, 23 de setembro de 2017

O espírito anda vagarosamente




A paixão pelas flores, plantas e animais nos devolvem à delicadeza.
Instigam o homem com seu silêncio, frescor e companhia.
Aromas e lealdade transitam pela alma inconstante.
Remetem-nos para os confins do sempre.
Objetos justificam recordações.
Mantêm os que se afastam.
Olhares não correspondidos, lágrimas choradas sem aviso,
dias e noites oferecidos pelo amor e suas implosões,
arrastam o espírito.
O coração é lento quando se apaixona.
Queremos o amanhã atropelado.
O homem se encanta pelo imediato.
A longevidade é o agora para quem arrisca.
As tartarugas sabem da constância.
Escondem a ousadia do caminho.
Possuem a tristeza dos que estão sozinhos.
A sabedoria lhes confere a timidez exposta.
Guardam o tesouro da demora.
Esperam o afago enquanto a carcaça se expõe ao sol.
Sonham no mar o que desovam na terra.
Quelônios sobrevivem porque tardam.

Rita de Cássia Alves

Ante dos dias




Guardiã do que desejo,
apenas trago especiarias:
 
rendas, brocados, um bocado
de saudade cosida,
 
descozida
 
em fogo lento.
 
Assim, frente aos desassossegos,
a Lua oculta vênus.
 
Satélites namoram nas pequenas
pontas das estrelas acidentais.
 
Sinalizo os guardados,
mas nada de pertences
veste a saudade de mim.
 
Peles e contato
olham a seda escondida.
 
Pelo céu dos teus enquanto,
cinzam o amor e seus naufrágios.
 
Rita de Cássia Alves
In Fios de Agora