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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Canção de Maria



Filho de meu ventre,
meu desejo mais profundo,
meu sonho desejado,
onde estás?

Filho da Luz,
o quanto te recordo
e procuro e sinto falta.
Foram curtas as horas em que
estivemos juntos
e menores os momentos em que
tu me pertenceste,
mas tão grande foi tua presença
e tão profundo nosso amor.

Filho da Vida,
cujos olhos cantavam para mim,
quando eu te carregava e queria ninar
(mas era teu brilho que me embalava),
onde te encontro agora que és
um peregrino da visão maior?

Filho meu,
eu te pertenço
por mais que tu pertenças ao mundo,
por mais que todos te queiram para si,
por mais que tu te queiras para eles.

Fruto do meu corpo,
meu sopro maior,
meu alento mais sentido,
meu alvorecer e meu brilho,
canto a canção da saudade,
a canção do tempo,
a canção do sonho,
a canção da vida.
E, em meu canto,
te encontro,
te mimo,
te protejo,
te envolvo,
te devolvo
ao ventre da terra
dos homens, para fortalecer tua semente.

Donald Malschitzky
In Cabeça de Vento
arte Marianne Stokes


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Canção para Maria




Filho de meu ventre,
meu desejo mais profundo,
meu sonho desejado,
onde estás?
Filho da Luz,
o quanto te recordo
e procuro e sinto falta.
Foram curtas as horas em que
estivemos juntos
e menores os momentos em que
tu me pertenceste,
mas tão grande foi tua presença
e tão profundo nosso amor.
Filho da Vida,
cujos olhos cantavam para mim,
quando eu te carregava e queria ninar
(mas era teu brilho que me embalava),
onde te encontro agora que és
um peregrino da visão maior?
Filho meu,
eu te pertenço
por mais que tu pertenças ao mundo,
por mais que todos te queiram para si,
por mais que tu te queiras para eles.
Fruto do meu corpo,
meu sopro maior,
meu alento mais sentido,
meu alvorecer e meu brilho,
canto a canção da saudade,
a canção do tempo,
a canção do sonho,
a canção da vida.
E, em meu canto,
te encontro,
te mimo,
te protejo,
te envolvo,
te devolvo
ao ventre da terra
dos homens, para fortalecer tua semente.

Donald Malschitzky
In Cabeça de Vento

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Vida



Tamborila no telhado e
pinga, pinga, pinga.

Embala aconchegos
e úmidos olhos, ávidos de sol,
mas carentes, carentes, carentes
da melodia da chuva.

Melodia-se o amor e busca
cascatas de arco-íris
quando o sol se impõe.

Tamborila no telhado
e pinga, pinga, pinga.

Escorre pelas telhas,
desgruda-se das janelas
e busca caminhos de metamorfose.

Gotas dão-se as mãos
e se transformam em risonhos rios
semeados de prateadas praias
e corredeiras que, na pressa de ser mar,
tecem canções nos labirintos das rochas e embalam
pedregulhos pra proteger ingênuos pés nas praias
- remédios de descanso.

“H2O”, dizem uns,
“água”, dizem outros.

“Vida”, é o que diz a chuva.
E tamborila no telhado,
embalando amores.

E pinga, pinga, pinga....

Donald Malschitzky