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domingo, 3 de dezembro de 2017


Não caminhe atrás de mim; eu posso não liderar. Não caminhe na minha frente; eu posso não seguir. Simplesmente caminhe a meu lado e seja meu amigo."
(Albert Camus)

Sejam do nosso convívio físico, diário, ou os 'virtuais', sejam almas de poetas nos livros que lemos, ou vozes e imagens queridas dos que já nos deixaram, ou mesmo árvores, bichos, amigos transcendem as horas. São filamentos, extensões de anjos que abraçam a terra de pólo a pólo , e por cujas mediação e presença nossos 'ombros suportam o mundo'.
Fernando Campanella, 04 de janeiro de 2007
arte Kim Anderson

sábado, 18 de novembro de 2017

Trajetória



Não proclames tuas palavras
quando a força de uma divina mão
te arrebatar para um centro
invisível e imóvel.

Como o mistério nos campos
de uma semente vingada
serás lançado a uma solidão imensa
mas não a profanes com impropérios
de teus conhecidos fantasmas.
Pode já não ser a angústia,
pode já não ser o tédio
se a alma assume, atemporal, a trajetória.

Fernando Campanella

Assim nos Céus





O contorno de um jarro,
a etérea rosa,
o piano
em teclas de sonho a vibrar:
... um solitário noturno ou, quem sabe,
um mais que eterno romance,
uma serenata a duas mãos
tocada.
Assim nos céus,
À pálida memória de uma lua
ou de velas a bruxulear,
espectros de noivos,
irredimíveis ébrios de amor,
em alcovas de brumas
a valsar.


Fernando Campanella
arte Stephen Shortridge

domingo, 1 de outubro de 2017

Assim no céu



O contorno de um jarro,
a etérea rosa,
o piano
em teclas de sonho a vibrar:
... um solitário noturno ou, quem sabe,
um mais que eterno romance,
uma serenata a duas mãos
tocada.
Assim nos céus,
À pálida memória de uma lua
ou de velas a bruxulear,
espectros de noivos,
irredimíveis ébrios de amor,
em alcovas de brumas
a valsar.


Fernando Campane
lla
arte stephen  Shortridge



De repente, este espaço vazio,
vozes sumindo, o vento sussurrando
em folhas...

  De repente, a memória das palavras,
imagem e som em filigranas...

  (tua possibilidade espiada
entre frestas de janelas e portas)

  Num lance de dados
te encontro, te acaricio, doce poesia...

  Filtro emoções, recomponho o universo,
só, feliz, repentinamente...
 

Fernando Campanella
In Palavrares
arte Dima Dimitriev

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Ode às Manhãs Transfiguradas



Sim,
Outras são as manhãs
Após as chuvas
Em doces gotas de amêndoas
E emblemáticos suores de uvas.

Manhãs em hortas regadas,
Frescor de sumos, feiras livres-
‘Salsa, sálvia, rosmaninho, tomilho’ -
Respingos de amor em refrões medievais

Sedosas manhãs molhadas,

Especiarias mais raras,
Orquídeas do Nepal,
Cravos da Ìndia,
Poção mágica,
Erva medicinal.

Cromáticas manhãs lavadas:
Verde- ingás, vermelho-pintangas
E tantas mais cores que bailam
No pomar de líquidas miçangas.

Límpidas crisálidas,
Abelhas em trânsito,
Pássaros cantantes
Lavandas,

Geadas

E ainda turíbulos,
Aromas de incenso,
Antigas lágrimas de semanas santas
Nos missais.

Bendito, o fruto de vosso ventre,
Manhãs transfiguradas,
A germinar, a se abrir
No úmido jardim das palavras.

Fernando Campanella
In PalavreAres- Poemas,Crônicas & Imagens
foto de CaptPiper