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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Comunhão


Já que me sinto muito digna
de me assentar à tua mesa,
não quero migalhas, não,
eu quero o pão inteiro.
Tu e eu, massa e fermento
em ávido silêncio:
casca e miolo,
o bolo
e o seu recheio
Vem.

Estende os lençóis sobre esta
mesa
com cheiro de suor e de
alfazema.
E vamos trabalhar a noite
e o seu levedo
com as mãos,
a boca,
o corpo aceso,
para que a aurora nos en-
tregue,
ainda quentes,
as últimas fatias de amor
amanhecente
com gosto de café, de leite
e de manteiga.

 Ilka Brunhilde Laurito

Bom dia,vida!


A luz da manhã despiu seu cobertor de neblina.
Bom dia, vida!

O meu corpo amanheceu com uma alegria menina!
Bom dia, bom dia!

Abro a janela ao convite
de um coral de passarinhos. Um sol cor de riso me veste
da cabeça até os pés. Respiro aroma de terra, cheiro de orvalho e café.
Bom dia, bom dia!

Dia bom de colher flores
e um ramalhete de amores ... Bom dia, vida,
Bom dia!

Ilka Brunhilde Laurito
arte Eugene de Blaas