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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A volta da Primavera





Tudo brilha - o sol nasceu!
repara amor,
olha lá fora,
o jardim floresceu,
tudo tem perfume e cor.

A primavera voltou;
há sussurros no ar
e, estalidos de beijos...
Há murmúrio nos ninhos ,
nos olhos, desejos
e alegres canções pelos caminhos...

A noite é mais quieta,
o mar não tem onda
 e a rua é do poeta 
que anda ao léu,
fazendo serestas
à lua redonda,
tão bela, tão branca, pregada no céu.

Aqui, só, distraída,
contemplo a beleza
da primavera florida
que volta sempre
para alegrar a vida...

Mas que importa se é primavera,
e se esta estação é tão querida,
se estou aqui, sempre sozinha
à tua espera
e tu voltas para a minha vida?

Zoraida H. Guimarães

Semeadura




Sim…É preciso amar algo nesta vida
com a convicção e o ardor de um crente,
um amor todo feito de ternuras
sem sombras profanas e irreverentes…
Amar o sol, as flores, as estrelas,
o mar, a imensidão e a humanidade,
encher tudo de paz e de bondade
e as almas, uma a uma acendê-las,
para que o mundo tenha claridade.
Amar o próprio chão, a natureza,
e todo o fulgor da beleza sempiterna;
levar o coração como tocha acesa
e encher tudo de luz e cores
como de flores enche a terra a primavera.
Amar!…Amar e se extinguir no amor
como um símbolo Daquele que no calvário
fez uma canção de sua dor
e da cruz do amor fez um sacrário!…

Sim!… É preciso amar constantemente;
o coração que ama assim não tem idade:
ele vai de leve, bem suavemente atingindo a meta 
– a sua divindade!…

– Zoraida Hostermann Guimarães
no livro “Semeadura”.